{"id":457,"date":"2021-12-15T01:58:52","date_gmt":"2021-12-15T04:58:52","guid":{"rendered":"http:\/\/radiopirada.com\/radiopirada\/?p=457"},"modified":"2021-12-18T23:33:32","modified_gmt":"2021-12-19T02:33:32","slug":"a-velha-ricardo-barao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/radiopirada.com\/radiopirada\/?p=457","title":{"rendered":"A Velha Ricardo Bar\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\"><strong>Susi Tesch<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No Natal de 2010 dirijo-me at\u00e9 o hospital Vila Nova, onde diariamente eu visitava o radialista&nbsp; Ricardo Bar\u00e3o na UTI. Naquele dia, ao chegar no hospital recebi a not\u00edcia de sua morte, causada por uma parada cardiorrespirat\u00f3ria. Trabalhei ao seu lado como produtora executiva no programa M\u00fasica do Mundo, e ele sempre me contava hist\u00f3rias marcantes sobre sua vida e refor\u00e7ava: \u201cmeu tempo por aqui est\u00e1 acabando e tu vais escrever a minha biografia\u201d, ent\u00e3o, resolvi&nbsp; escrever esse perfil sobre esta pessoa t\u00e3o \u00e0 frente de seu tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ricardo Espinosa Kurtz, filho de Waldmar Kurtz e Maria Antonietta Espinosa Kurtz, nasceu em 09 de agosto de 1954, na cidade de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul. Teve dois filhos, Erick e Arthur.<\/p>\n\n\n\n<p>O &#8220;Bar\u00e3o&#8221; veio de um apelido de adolesc\u00eancia, pois ele tinha um carro vermelho com o painel cheio de rel\u00f3gios e o apelidaram de Bar\u00e3o Vermelho. Como ele achava estranho o r\u00e1dio anunciar Ricardo Espinosa na produ\u00e7\u00e3o, trocou para Ricardo Bar\u00e3o. Apesar desse carro vermelho, ele era apaixonado por motos, ao longo de sua vida teve diversas.<\/p>\n\n\n\n<p>Personalidade forte,&nbsp; se dizia anarquista e n\u00e3o gostava da mesmice, com a imita\u00e7\u00e3o de coisas j\u00e1 feitas, com a falta de criatividade. Grupos musicais t\u00eam que criar e n\u00e3o ficar copiando dos outros. Foi isso que fez ele se afastar do rock and roll e se dedicar \u00e0 world music. Ele declarou seu anarquismo em uma entrevista para o&nbsp; coletiva.net&nbsp; &#8220;Se todo mundo diz que o governo est\u00e1 bom, eu sou contra, pois tem uma s\u00e9rie de coisas que est\u00e3o erradas. O tratamento, por exemplo, que d\u00e3o para a cultura aqui no Estado \u00e9 p\u00e9ssimo!&#8221;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Come\u00e7ou a trabalhar em r\u00e1dios com 17 anos na Continental AM como produtor musical do &#8220;Programa do Cascalho&#8221;, apresentado por Ant\u00f4nio Carlos Contursi, e seguiu seu caminho em diversas r\u00e1dios na Cultura Pop, que foi a primeira r\u00e1dio FM voltada para o p\u00fablico jovem. Atuou na R\u00e1dio Cidade e na R\u00e1dio Bandeirantes, com o famoso programa Est\u00fadio 576 e, depois, exerceu a dire\u00e7\u00e3o da programa\u00e7\u00e3o musical da emissora.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Tamb\u00e9m atuou como produtor executivo no antigo Teatro Leopoldina, e o cargo inclu\u00eda certificar-se que os contratos dos artistas fossem cumpridos, como equipamentos de palco, exig\u00eancias de camarim. Esse trabalho foi enriquecedor na sua carreira, pelo contato direto com grandes artistas. Seu grande mestre em r\u00e1dio foi Claudinho Pereira. Bar\u00e3o viajava de moto para a Argentina, onde ia para comprar discos para uso pessoal e para comercializar.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando ele queria se isolar, ia para o Gua\u00edba Country Club, onde a fam\u00edlia de seus pais possu\u00eda uma casa, e claro que tamb\u00e9m se tornava atra\u00e7\u00e3o por l\u00e1, onde rolavam muitas festas nas quais ele acabava discotecando.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O guru Claudinho Pereira<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Claudinho Pereira formado em Comunica\u00e7\u00e3o Social pela UFRGS. DJ, radialista, jornalista, documentarista, cineasta, diretor de TV, produtor de eventos e escritor. Uma figura ilustre no meio cultural. Foi o primeiro DJ de Porto Alegre.<\/p>\n\n\n\n<p>Claudinho conta que conheceu o Bar\u00e3o no Baile dos Magrinhos, no Sava Iate Clube, no bairro Assun\u00e7\u00e3o. Bar\u00e3o atra\u00eddo pela discotecagem de Claudinho foi apresentar-se. Nascia n\u00e3o somente uma parceria profissional, mas tamb\u00e9m uma amizade. Bar\u00e3o tinha 17 anos e Claudinho teve que buscar autoriza\u00e7\u00e3o com os pais do Bar\u00e3o, para ele poder discotecar junto em bailes e bares. Bar\u00e3o ia aprendendo enquanto trabalhava com seu mestre como DJ auxiliar. Tamb\u00e9m acompanhava seu mestre pelo interior, inclusive Claudinho n\u00e3o dirigia, ent\u00e3o iam em um fusca azul que o Bar\u00e3o tinha na \u00e9poca. Al\u00e9m dos bares e dos bailes, Claudinho levou o Bar\u00e3o para as r\u00e1dios, para o Programa do Cascalho, na Continental AM, na Ita\u00ed FM, onde o Bar\u00e3o atuou como produtor do Est\u00e9reo Combo, um programa de Jazz, apresentado pelo mestre.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O guru relembra que Bar\u00e3o ia sempre \u00e0 sua casa para ouvir m\u00fasica e desde cedo ele levava algum disco que ainda n\u00e3o tinha no Brasil para escutar. Eram muito amigos, Bar\u00e3o passou seu \u00faltimo R\u00e9veillon, em 2010 na casa do Claudinho.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tr\u00eas mulheres importantes&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ricardo Bar\u00e3o contava que teve muitas namoradas. Mas tr\u00eas relacionamentos foram os que marcaram sua vida. Sua primeira esposa, com quem casou no civil, foi Tete Berti, a m\u00e3e de seu primog\u00eanito Erick Krau Kurtz. Tete e Bar\u00e3o casaram em 1977, na Capela Assun\u00e7\u00e3o. Bar\u00e3o pediu Tete em casamento no momento em que a conheceu. Logo ap\u00f3s se casarem e se desvencilhar das formalidades familiares foram vestidos de noivos para uma festa do radialista Cl\u00f3vis Dias Costa, no clube Petr\u00f3polis. O clube estava lotado e o Bar\u00e3o assumiu o comando do som e deixou a gurizada louca. Em 1981 nasceu Erick, o casal morava no bairro Moinhos de Vento e juntos criaram a danceteria Rolla Rock, a loja Disco Voador.&nbsp; O casamento durou 8 anos, e nesse per\u00edodo Bar\u00e3o produziu as colet\u00e2neas Rock Garagem I e II, participou da funda\u00e7\u00e3o da Ipanema FM e produziu festivais de Rock.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na divis\u00e3o de bens, Tete ficou com o Rolla Rock e o Bar\u00e3o com a loja Disco Voador.<\/p>\n\n\n\n<p>Com Nara Lisboa, Bar\u00e3o teve um relacionamento est\u00e1vel, moraram juntos por 6 anos (1988 &#8211; 1994), residiam em Santo Ant\u00f4nio de Lisboa, Santa Catarina onde se conheceram, depois moraram no Country Club em Gua\u00edba e em Porto Alegre. Com Nara ele teve programa de r\u00e1dio na Antena 1 em Florian\u00f3polis, tamb\u00e9m passou pela Alegria, uma r\u00e1dio popular em Novo Hamburgo. Ap\u00f3s a separa\u00e7\u00e3o, Nara Lisboa foi morar na Fran\u00e7a, onde continuou trabalhando com o Bar\u00e3o, no eixo da world music, Nara era a sucursal do M\u00fasica do Mundo e mandava as novidades e not\u00edcias culturais para o programa.<\/p>\n\n\n\n<p>Raquel Le\u00e3o conheceu Bar\u00e3o em Porto Alegre durante uma palestra no Santander Cultural. Raquel conta que ouviu sobre a palestra quando anunciada no M\u00fasica do Mundo, com entrada franca e resolveu conferir, foi a que mais participou fazendo perguntas para ele. M\u00e3e de seu segundo filho, Arthur Le\u00e3o Kurtz, nascido em 25 de junho de 2007, foi redatora do site M\u00fasica do Mundo enquanto esteve ao lado de Bar\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Da Bandeirantes para Ipanema FM<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Rua Jos\u00e9 do Bonif\u00e1cio, bem na Reden\u00e7\u00e3o, ficava a\u00a0 r\u00e1dio Bandeirantes. Bar\u00e3o tinha o programa \u201cStudio 576\u201d &#8211;\u00a0 n\u00famero da casa onde funcionava a r\u00e1dio. Bar\u00e3o fez parte do grupo que saiu da Bandeirantes transferido para a Ipanema FM. Ricardo Bar\u00e3o, Nilton Fernando, Mauro Borba , Meri Mezzari, Isaias Porto e o operador de \u00e1udio Gen\u00e9sio de Souza deram in\u00edcio \u00e0 Ipanema FM em 1983. Na Ipanema FM, Bar\u00e3o apresentava o programa Central Rock. Depois, ficou alguns anos afastado,\u00a0 retornou em 2000 com o M\u00fasica do Mundo que permaneceu na emissora at\u00e9 2006.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Disco Voador e o Rolla Rock<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na d\u00e9cada de 1980,&nbsp; Bar\u00e3o e Tete Berti abriram em Porto Alegre a danceteria Rolla Rock, na Lima e Silva, no bairro Cidade Baixa, e a Disco Voador, loja de discos de rock importados e piratas, localizada no bairro Moinho de Vento.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tete conta que a loja possu\u00eda um \u00e1lbum rar\u00edssimo que continha tr\u00eas discos que os Stones gravaram em um navio. Muitas m\u00fasicas in\u00e9ditas, s\u00f3 dez c\u00f3pias para o mundo, e uma estava na loja. Eles copiavam e vendiam em fitas cassetes. Um dos Stones estava de anivers\u00e1rio e tinha at\u00e9 parab\u00e9ns cantado por eles. Quando a loja foi fechada, o Bar\u00e3o presenteou a Meri Mezzari&nbsp; com o disco em vinil.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dia Humberto Gessinger chegou na loja e pediu para o Bar\u00e3o um disco compacto do Ultraje \u00e0 Rigor e a resposta da Velha foi \u201c aqui s\u00f3 vendemos discos de rock\u201d, conta Alexandre Lucchese em seu livro \u201cInfinita Highway: Uma carona com os Engenheiros do Hawaii\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"http:\/\/radiopirada.com\/radiopirada\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/67813808_103420067687516_4656007589841076224_n.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1000\" height=\"617\" src=\"http:\/\/radiopirada.com\/radiopirada\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/67813808_103420067687516_4656007589841076224_n.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-458\" srcset=\"http:\/\/radiopirada.com\/radiopirada\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/67813808_103420067687516_4656007589841076224_n.jpg 1000w, http:\/\/radiopirada.com\/radiopirada\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/67813808_103420067687516_4656007589841076224_n-300x185.jpg 300w, http:\/\/radiopirada.com\/radiopirada\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/67813808_103420067687516_4656007589841076224_n-768x474.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/a><figcaption><strong>Foto: Eurico Sales \/ Bar\u00e3o na frente da loja Disco Voador, em Porto Alegre&nbsp;<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Discos Rock Garagem<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Como produtor musical, assinou os discos Rock Garagem (1984) e Rock Garagem II (1985), que reuniu nomes ent\u00e3o quase desconhecidos da m\u00fasica jovem ga\u00facha. Os discos atra\u00edram aten\u00e7\u00e3o de gravadoras do centro do pa\u00eds para a cena local do Rio Grande do Sul. Gravados pela Acit.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No lan\u00e7amento do primeiro disco, Bar\u00e3o reuniu quatro mil pessoas em um show hist\u00f3rico no Ara\u00fajo Vianna, no dia 14 de dezembro de 1984.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2014&nbsp; o disco Rock Garagem I (1984), completou 30 anos e foi homenageado com men\u00e7\u00e3o na cerim\u00f4nia do A\u00e7orianos de M\u00fasica. O pr\u00eamio foi recebido pelo filho Erick&nbsp; e ex-esposa Tete e entregue por Nilton Fernando, ex-colega de Bandeirantes e Ipanema.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile is-vertically-aligned-center\"><figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"225\" height=\"224\" src=\"http:\/\/radiopirada.com\/radiopirada\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/indice-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-460 size-full\" srcset=\"http:\/\/radiopirada.com\/radiopirada\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/indice-1.jpg 225w, http:\/\/radiopirada.com\/radiopirada\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/indice-1-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 225px) 100vw, 225px\" \/><\/figure><div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p class=\"has-large-font-size\">O primeiro disco traz as bandas Astaroth, Fluxo, Garotos da Rua, Leviathan, Os Eles, Replicantes, Taranatiri\u00e7a, Moreirinha e os Seus Suspiram Blues, Frutos da Crise, Valhala e Urubu Rei.<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile\"><figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"225\" height=\"225\" src=\"http:\/\/radiopirada.com\/radiopirada\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/indice2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-461 size-full\" srcset=\"http:\/\/radiopirada.com\/radiopirada\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/indice2.jpg 225w, http:\/\/radiopirada.com\/radiopirada\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/indice2-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 225px) 100vw, 225px\" \/><\/figure><div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p class=\"has-large-font-size\">E no segundo disco as bandas Os Eles, Produto Urbano, Prize, Os Bonitos, C\u00e2mbio Negro, Banda de Banda, Atahualpa Y Os Panques e Spartacus<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Programa M\u00fasica do Mundo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quando reencontrei o Bar\u00e3o morava sozinho em um hotel na Dem\u00e9trio Ribeiro, no centro de Porto Alegre, e era not\u00e1vel sua tristeza, por falta de reconhecimento profissional. Ele estava com o programa M\u00fasica do Mundo na Cultura FM. Tinha sido banido da hoje extinta Ipanema FM em 2006, a qual ele ajudou a fundar e nunca houve esse reconhecimento por parte dos colegas. Para os ouvintes, continua sendo uma figura lend\u00e1ria por suas hist\u00f3rias malucas e seus feitos no rock and roll e na world music.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das coisas mais sensacionais foi o termo &#8220;Velha&#8221;, adotado pelo Bar\u00e3o, segundo ele , era uma esp\u00e9cie de t\u00edtulo, significava que a pessoa j\u00e1 tinha adquirido experi\u00eancia suficiente para ser uma Velha do rock and roll, ser chamado de Velha deve ser motivo de orgulho.<\/p>\n\n\n\n<p>Conheci o Bar\u00e3o em 2001, na \u00e9poca o programa M\u00fasica do Mundo estava na r\u00e1dio Ipanema FM, e ia ao ar todos os domingos das 18h \u00e0s 20h. Morava e tinha escrit\u00f3rio na rua Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio, dividia seu espa\u00e7o com Mingau, um gato siam\u00eas, muito fofo, que miava pronunciando \u201c mingauuuuuu\u201d. Insepar\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>O programa era inovador, sensacional, especializado em world music e fus\u00f5es de ritmos nativos originais com o jazz e o rock. A produ\u00e7\u00e3o do M\u00fasica do Mundo mantinha interc\u00e2mbio direto com a RFI Musique da Fran\u00e7a, e mais 80 sites especializados no g\u00eanero. Fornecia informa\u00e7\u00f5es de viagens, interc\u00e2mbio estudantil, lugares, inform\u00e1tica, sites de m\u00fasica, softwares. A maioria das pessoas tinham acesso discado na internet, e o Bar\u00e3o foi um dos primeiros a adquirir a internet via cabo. Conseguiu at\u00e9 que a NET abrisse a Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio, para levar a nova tecnologia a seu escrit\u00f3rio ali localizado. Bar\u00e3o estava nesta \u00e9poca em seu cem por cento, ativo e produzindo muito, com nome em alta e assim permaneceu, fez muitas coisas nesse per\u00edodo de 10 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi quando, infelizmente, voltou a beber. O alcoolismo era seu principal inimigo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2007 o M\u00fasica do Mundo passa para a Cultura FM onde fica at\u00e9 seu falecimento em 25 de dezembro de 2010. O programa passou a ser gravado, pois a programa\u00e7\u00e3o da R\u00e1dio Cultura nos finais de semana \u00e9 gravada.<\/p>\n\n\n\n<p>O M\u00fasica do Mundo tamb\u00e9m era transmitido pela a R\u00e1dio Bemba FM do M\u00e9xico, R\u00e1dio Antena Uno, do Equador, R\u00e1dio Horizonte de Portugal, Web Esta\u00e7\u00e3o Voz e Web R\u00e1dio Pirada de Porto Alegre.<\/p>\n\n\n\n<p>Bar\u00e3o era visto nos \u00faltimos anos jantando no Tablado Andaluz, que sempre patrocinou o programa M\u00fasica do Mundo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"has-text-align-center\">Meu mestre Ricardo Bar\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>Se Claudinho Pereira foi o mestre do Bar\u00e3o, o Bar\u00e3o sem d\u00favida foi o meu mestre. No in\u00edcio de 2010, numa tarde de s\u00e1bado, eu estava na Programa\u00e7\u00e3o da R\u00e1dio Pirada, da qual fui idealizadora, quando surge Ricardo Bar\u00e3o no MSN da r\u00e1dio dizendo: \u201cSusi, joguei a toalha pra ti\u201d. Nossa, para mim, aquelas palavras vindas do Bar\u00e3o, com toda sua hist\u00f3ria, foi o m\u00e1ximo. N\u00e3o falava com ele desde 2003. Ele me contou que o \u00c9rlon Jacques, um amigo&nbsp; em comum, tinha passado o link da r\u00e1dio para ele.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o ele convidou o pessoal da r\u00e1dio para a festa do M\u00fasica do Mundo e tamb\u00e9m perguntou se a r\u00e1dio tinha interesse em transmitir o M\u00fasica do Mundo, claro que t\u00ednhamos. Naquela semana o programa estreou na programa\u00e7\u00e3o da r\u00e1dio.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a festa do M\u00fasica do Mundo, ap\u00f3s 7 anos sem ver a Velha, ele veio com mais uma proposta, disse que gostaria de voltar a tocar rock, por\u00e9m a condi\u00e7\u00e3o era que eu apresentasse o programa com ele. E foi assim que nasceu, o Programa das Velhas, batizado por ele. Bar\u00e3o se emocionava a cada programa relembrando os anos em que esteve fazendo programa de rock. Bar\u00e3o foi quem tocou grandes cl\u00e1ssicos do rock em primeira m\u00e3o em seus programas nas d\u00e9cadas de 70 e 80. O grande diferencial do Bar\u00e3o \u00e9 que ele buscava os lan\u00e7amentos dos discos estrangeiros na Argentina, segundo ele demora uns dez anos pro disco chegar no Brasil depois de lan\u00e7ado e tamb\u00e9m alguns amigos traziam alguma coisa da Europa para ele.<\/p>\n\n\n\n<p>Com ele aprendi a ser mais despojada no r\u00e1dio, uma caracter\u00edstica que ele sempre carregou e principalmente que as m\u00fasicas em um bloco&nbsp; precisam de sintonia entre elas. Sei que cheguei nesse ponto num dia que ouvi&nbsp; que uma r\u00e1dio copiou um bloco inteiro de m\u00fasica feito por mim, inclusive na mesma sequ\u00eancia. Comentei com o Bar\u00e3o, porque fiquei aborrecida e ele me disse \u201c \u00c9 isso a\u00ed, se copiaram \u00e9 porque est\u00e1 bom\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Juntamente com o Programa das Velhas, ele me convidou para trabalhar com ele no M\u00fasica do Mundo. Peguei a parte de produ\u00e7\u00e3o executiva, rec\u00e9m tinha terminado o curso na Feplam, e seria dif\u00edcil conseguir algo na \u00e1rea, pois n\u00e3o estava cursando jornalismo. Ent\u00e3o mergulhei fundo nas pesquisas do que estava rolando de m\u00fasicas novas na world music. Nessa \u00e9poca o programa contava s\u00f3 com a Nara Lisboa, que trazia not\u00edcias e algumas novidades, como festivais, direto da Fran\u00e7a. Ele praticamente pendurou as chuteiras, passou somente a apresentar o programa, at\u00e9 as edi\u00e7\u00f5es de \u00e1udio eu comecei a fazer.<\/p>\n\n\n\n<p>Come\u00e7ou a escrever poemas, queria lan\u00e7ar um livro.<\/p>\n\n\n\n<p>Bar\u00e3o foi para o hospital no final de novembro de 2010 devido a um coma alco\u00f3lico e estava se recuperando bem. Me pediu para ver uma cl\u00ednica para se tratar. Fiquei bem empolgada, pois a \u00faltima vez passara dez anos limpo. Ele estava feliz naquela tarde pois a Tete tinha ido visit\u00e1-lo. Contou que dan\u00e7aram no quarto do hospital. No dia seguinte sofreu a parada cardiorrespirat\u00f3ria e ficou em coma induzido at\u00e9 morrer.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O Bar\u00e3o foi o primeiro amigo que partiu. Logo ap\u00f3s a sua morte eu fiz algumas discotecagens de world music no Jardim Secreto, um&nbsp; bar na Cidade Baixa. Lembro de uma frase na qual reflito at\u00e9 hoje que seu filho Erick me disse \u201c Voc\u00eas s\u00e3o iguais\u201d. Acho que esse igual \u00e9 na rebeldia, talvez eu seja meio anarquista tamb\u00e9m. Tamb\u00e9m por gostar de muitas coisas que ele gostava, como a r\u00e1dio e a m\u00fasica. Hoje sigo seus ensinamentos, e ele sempre dizia: \u201c Segue teu cora\u00e7\u00e3o\u201d. O per\u00edodo da interna\u00e7\u00e3o e sua morte me aproximou de muitas pessoas queridas que tamb\u00e9m conviveram com ele.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"has-text-align-center\"><strong>O ROCK<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Ricardo Bar\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\">Por um momento na hist\u00f3ria\nTodos os jovens do mundo se uniram numa s\u00f3 voz\nO rock\nEra como se fossemos todos da mesma turma, da mesma esquina\nUma s\u00f3 linguagem, uma s\u00f3 postura, um s\u00f3 grito de guerra\nLut\u00e1vamos todos juntos contra toda esta porra de sistema\nN\u00e3o existiam americanos, ingleses, latino americanos. \u00c9ramos um s\u00f3\nCom a guitarra como arma contra a intoler\u00e2ncia, o fascismo e tudo que o lado ruim da humanidade representava.\n\u00c9ramos todos jovens guerreiros sob a bandeira do rock\nA juventude passou, a revolu\u00e7\u00e3o acabou\nO sistema venceu\nAgora novamente somos latino americanos, eles s\u00e3o os malditos americanos e os pedantes ingleses\nVelhos demais para o rock, jovens demais para morrer<\/pre>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Susi Tesch No Natal de 2010 dirijo-me at\u00e9 o hospital Vila Nova, onde diariamente eu visitava o radialista&nbsp; Ricardo Bar\u00e3o na UTI. Naquele dia, ao <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"http:\/\/radiopirada.com\/radiopirada\/?p=457\" title=\"A Velha Ricardo Bar\u00e3o\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":1,"featured_media":462,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[111],"tags":[142,141,103,143,29,104,14,42,140],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/radiopirada.com\/radiopirada\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/457"}],"collection":[{"href":"http:\/\/radiopirada.com\/radiopirada\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/radiopirada.com\/radiopirada\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/radiopirada.com\/radiopirada\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/radiopirada.com\/radiopirada\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=457"}],"version-history":[{"count":4,"href":"http:\/\/radiopirada.com\/radiopirada\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/457\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":469,"href":"http:\/\/radiopirada.com\/radiopirada\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/457\/revisions\/469"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/radiopirada.com\/radiopirada\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/462"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/radiopirada.com\/radiopirada\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=457"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/radiopirada.com\/radiopirada\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=457"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/radiopirada.com\/radiopirada\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=457"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}