Foto: Susi Tesch

Folk, pero no mucho: à vontade, Ira! contagia os fãs em Porto Alegre

Paulo Egídio, especial para a Rádio Pirada
pauloegidiors@gmail.com

Fotos: Susi Tesch

A proposta era uma apresentação intimista, com base no folk, pouco instrumentos e, portanto, mais leve. Contudo, não faltou bom rock n’ roll durante o show do Ira! no auditório Araújo Vianna, em Porto Alegre, no último sábado (7). Em um palco com molduras brancas vazadas, que permitia um excelente jogo de luzes, Nasi e Edgard Scandurra tocaram por quase duas horas, levantando a plateia várias vezes com hits bem distribuídos durante o repertório. Eram 21h11 quando as luzes do teatro se apagaram e o palco foi iluminado. Dois minutos depois, a mão esquerda de Scandurra começou a dedilhar no violão as primeiras notas de Mudança de Comportamento. Após a execução da música, os dois protagonistas da noite saudaram um público bastante animado, formado essencialmente por pessoas de meia-idade. A arrancada teve ainda Dias de Luta e Flerte Fatal.

Na sequência, o show entrou em uma vibe mais tranquila, com canções como Quinze Anos, Perigo e Tarde Vazia. Ainda assim, a estratégia de intercalar as conhecidas Girassol, Flores em Você e, principalmente, Eu Quero Sempre Mais, demonstrou-se o grande acerto da noite. A energia da plateia, que saltava das poltronas quase que automaticamente quando começavam os hits, compensou o bom número de espaços vazios no Araújo Vianna.

Com um colete sobre a camisa e um chapéu à lá cantor de bossa nova, Nasi parecia verdadeiramente à vontade. Sorridente, levantou várias vezes para saudar os fãs e vibrou durante quase todo o espetáculo. Mais comedido, Scandurra também deixou seu lugar e até chegou a dar pulinhos com o violão, simulando seus tradicionais trejeitos com a guitarra.

No meio da apresentação, Edgard deu o tom: “O nome engana. Aqui é rock n’ roll o tempo todo”, declarou, para o delírio da plateia. Mais tarde, ele também arrancou gritos do público quando falou sobre a performance da banda de rock britânica The Who na capital gaúcha – realizada em 26 de setembro –  em que esteve presente. “Foi o melhor show da minha vida!”, bradou. Antes de sair do palco pela primeira vez, o grupo ainda levantou a galera com a popular Envelheço na Cidade.

Bis

Após os apelos da multidão, o Ira! voltou ao palco ainda mais solto. De cigarro na mão, Nasi mencionou a primeira vez que o grupo tocou em Porto Alegre. “Nós tocamos aqui mesmo, no Araújo Vianna, quando ainda era uma concha acústica” relembrou. Fazendo referência ao guitarrista e compositor carioca Júlio Barroso, a primeira música interpretada no bis foi Telefone, da banda Gang 90 e as Absurdettes.

Em seguida, Scandurra aproveitou para alfinetar o plebiscito informal promovido no mesmo dia pelo movimento “O Sul é Meu País”, que propunha a secessão da região sul do restante do Brasil. “Meu pai é de Bagé e, portanto, de nacionalidade gaúcha”, ironizou. “Mas a gente é acima de tudo, brasileiro”, completou, apresentando os dois outros integrantes do conjunto: seu filho Daniel Scandurra (baixolão) e Johnny Boy (teclado e violão).

Após a provocação, a canção interpretada foi Bebendo Vinho, do gaúcho Wander Wildner, regravada pelo grupo em 1999. A apresentação foi fechada vistosamente com My Generation (do The Who), Tanto Quanto Eu e Núcleo Base. Ovacionada, a banda saiu do palco aos gritos de “Ole Ole , Ira! Ira!”, deixando a sensação de que Nasi e Edgard Scandurra são capazes de se completar cada vez mais.

Foto: Susi Tesch        Foto Susi Teschfoto: Susi Tesch